sábado, 2 de março de 2013

E a "Decoreba"...? Onde fica !?


Com intuito de abrir um espaço para debates a respeito da educação, gostaria de trazer hoje uma reflexão a sobre o papel da "Memorização" no processo ensino-aprendizagem.

Por Marcelo e Imaculada Fernandes

O século XX assistiu a ascênção de diversas abordagens junto à educação formal passando pela escola comportamentalista, construtivista, freiriana, montessoriana e tradicional, todas com suas respectivas características e especificidades. Um tema, no entanto tem recorrentemente atraído a atenção de educadores, pais e população em geral: a chamada "decoreba". Na verdade o termo "decoreba" é uma forma informal de se tratar um importante processo mental chamado "Processo Mnemônico", ou seja "Memorização". Abaixo faremos uma reflexão sobre esse processo tão utilizado no passado, tão criticado nas últimas décadas mas que, por fim deve ser encarado de forma séria e galgar o lugar que lhe é devido no processo ensino-apredizagem.


Sabemos hoje que o cérebro humano é uma complexa estrutura que funciona a partir de estímulos eletro-químicos. Uma das grandes descobertas em relação a ele diz respeito ao fato de que o cérebro aprende aprendendo. Precisamos entende-lo como uma orquestra que quanto mais toca, melhor tocará, ou seja, desenvolverá aptidões durante os processos mentais que lhe serão úteis em futuros problemas e questões. Uma dessas operações mentais que fazem parte do nosso cotidiano é o processo "Mnemônico". Podemos ver em nosso dia a dia que fazemos melhor o que fazemos sempre. Isso só é possível porque ao fazermos mais e mais vezes uma coisa, com o tempo a faremos melhor. Tudo isso não poderia deixar de passar pela operação mental da memorização.


A grande crítica feita no passado ao processo da memorização ou "decoreba" é que muitos alunos lançavam mão deste processo sem, no entanto atribuir nenhum significado àquilo que estava sendo aprendido. Ou seja, o aluno era capaz de recitar todo um texto ao memoriza-lo ou mesmo acertar toda a tabuada que lhe era pedida numa prova, porém sem dar nenhum significado ao que estava simplesmente recitando. O processo do "significar" o conhecimento é algo indissociável ao ato da memorização. Em aulas nas quais uma determinada sala deve aprender, por exemplo, o nome de Estados ou Cidades é indiscutível a necessidade da memorização. Resta saber se o professor adiciona ou não a esse processo o ato de "significar o conhecimento". Estados e cidades podem, por exemplo serem aprendidos a partir da experiência prévia que cada aluno tem sobre tais estados e cidades. É possível atrelar nomes à acontecimentos atuais, músicas, características... A capacidade da criança fazer tais associações é muito grande.



A ideia apresentada acima (trabalhar a apreensão do conhecimento a partir de experiências prévias) é familiar ao método construtivismo e pode ser de grande valor não apenas no âmbito da educação infantil, mas também ao longo da carreira escolar e até na universidade. Valorozas estratégias de ensinagem (ensino + aprendizagem) têm sido desenvolvidas valorizando sobretudo o conhecimento prévio do aluno sobre determinado tema. Assim, utiliza-se tais conhecimentos prévios como "trampolim" para novos voos na direção de novos saberes.


Concluindo, é necessário a desmistificação da nossa antiga "decoreba" como se fosse uma inimiga à espreita. Como diversos outros processos mentais, a "memorização" é algo muito importante e que deve ser encarada como parte do desenvolvimento mental, desde é claro que seja implementada em associação com significados. Quem aqui não se deparou com visões diferentes a respeito de um mesmo tema ao visita-lo outras vezes??

Apenas não sejamos iguais ao rapaz da história abaixo... rs rs



Um abraço à todo!

8 comentários:

  1. Interessante esse tema e acompanhando meus netos hoje, não vemos mais a decoreba de antigamente, mas em alguns casos ela é ainda necessária. O trabalho feito para memorização é importante, por exemplo na hora do alfabeto, das tabuadas fundamentais e assim vai. beijos,lindo domingo! chica

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    1. Olá Chica... Concordo com você.

      A memorização deve ser vista como um processo mental natural. Quando contextualizado junto de um signifcado ele faz muito bem.

      Já dizia o ditado. O princípio da repetição é um dos principais princípios pedagógicos.

      Abs!

      Marcelo.

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  2. Marcelo querido!
    Muito bom esse artigo!
    Vale muito reflitir sobre esse tema.
    Obrigada pela participação.
    Seja sempre bem-vindo.
    Abraços! Uma semana abençoada e feliz pra ti.

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    1. Obrigado... Mas você sabe que duas professoras foram minha inspiração para o caminho da docência: você e a vovó Abadia!

      Gde. Bj.

      Marcelo.

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  3. Em nossos dias as experiências prévias devem ser contextualizadas na escola atual... a partir daí o professor inicia um período de sondagem incorporando essas referências que os alunos trazem para a escola, enriquecendo e tornando as aulas mais reais, assim a prática torna-se enriquecedora para todos que participam desse processo! Bjos Mano!!

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  4. Imaculada

    O processo, não tenho, haverá excepções, casos de perguiçosos mentais ou pessoas pouco dotadas. Nunca exerci o exercicio, de profesor, Se afirmo é como aluno. Sempre o usei o méto e sempre deu certo. Continuo a usá na vida particular.
    Beijos

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  5. Pois é, a decoreba já foi muito importante... Lembro que decorava coisa que nem sabia o era e depois de grande é que descobri o significado... Hoje temos outros métodos que facilitam demais, porém "a famosa decoreba" tem o seu lugarzinho de estimação em alguns casos!

    Beijos, Imac, com muito carinho...

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  6. Imac querida,
    Ontem vim conhecer este seu espaço e fiquei tão maravilhada que acabei comentando o post abaixo. Foi bom ter voltado aqui.
    Gostei desse artigo, muito interessante e enriquecedor!
    Beijos, amiga.

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